O segundo embate na infertilidade

 

Quem me acompanha há mais tempo, sabe da minha primeira decepção no mundo da “maternidade”, para quem não sabe, pode ler aqui.

Entretanto volvido um ano, decidimos tentar de novo. Connosco é assim, decidimos, voltamos aos treinos e engravido. Sempre foi assim, em todas as vezes que fiquei grávida. Não sei o que é um teste de gravidez negativo, sempre tive os dois tracinhos ou um “+”.

Era Março de 2017 e aquele sintoma que já me era conhecido da primeira gravidez, o peito dorido, apareceu. Deduzi que provavelmente estivesse grávida. Não fiquei feliz, aquela felicidade de êxtase, de não caber no peito, fiquei um bocadinho feliz e com esperança que ia correr tudo bem. Tentei manter a calma. Esperei pela data que a menstruação deveria vir, não veio e fiz o teste. Resultado positivo. Não sei se fiquei feliz, sei que a esperança se mantinha, mas o medo era tanto. Não queria ter de passar pelo mesmo de novo. Marquei consulta no médico ginecologista e tentei manter a calma. ainda ia ter de esperar 3 semanas até à minha consulta. Este tempo em que temos de aguardar até à consulta, para poder fazer uma ecografia é agoniante.

Passadas umas duas semanas, tenho uma perda de sangue castanho escuro. Eu sabia o que aí vinha. Não precisava que ninguém o confirmasse, mas ao mesmo tempo agarrava-me a uma mínima esperança.

Fui ao hospital e digo que na urgência (Bloco de Partos) do Hospital do Barreiro, foi a única vez que fui mal atendida, por um médico bruto, insensível que se vira para mim e me diz, em tom frio e directo: “então, isso é início de um aborto. Você ja sabe do que se trata e como reagir. Você já não é nova nesta situação, sabe perfeitamente o que vai acontecer”??!!!!  A sério, uma pessoa nesta situação precisa mesmo de ouvir isto e ser tratada assim?!

Mandou-me fazer análises de sangue beta HCG e esperar os resultados. A minha “sorte” foi a mudança de turno e ter sido outra médica a chamar-me para me dar os resultados. O beta estava a setecentos e qualquer coisa e fez-me uma ecografia, mas não conseguiu ver quase nada, porque o tamanho do saco não correspondia às semanas que eu estava. Mesmo assim, pediu-me para repetir as análises ao fim de dois dias. Repeti e não subiu quase nada. Essa mesma médica, calmamente, disse-me que, provavelmente, se tratava de uma gravidez não evolutiva, para ir ter com ela novamente, na semana seguinte.

A verdade é que nesse mesmo dia comecei a perder sangue e o meu corpo encarregou-se de expulsar tudo. Na semana seguinte, em nova ecografia, a mesma médica disse-me que estava tudo limpo, mas para aguardar um mês até tentar de novo.

Por uma segunda vez, não tinha conseguido levar uma gravidez avante. A dor é muito grande. É sentir-me uma mulher de “segunda”. É sentir-me a decepcionar o meu marido. É sentir-me incapaz de realizar algo que a maioria das mulheres consegue. É uma culpa tão grande que se sente. Eu senti isso tudo e mais um rol de coisas menos boas.

Confesso que também não me deixei afundar muito nesta dor. Não podia deixar-me arrastar. Passados uns dois ou três dias, olhei em frente e aceitei. Tudo acontece quando e porque tem de acontecer. Se não foi agora foi porque, porque algum motivo que não tinha de ser.

Fui buscar forças não sei onde e continuei em frente.

A vida é a maior professora. Encarrega-se de nos ensinar, de nos mostrar o quão fortes somos. Até onde a nossa força vai. Até onde conseguimos superar as dificuldades a que somos sujeitos.

Eu sou persistente. Se desta vez, a segunda, não correu bem, só tinha de voltar a tentar. E tentámos. E voltou a dar positivo….

…. Continuo em novo post

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Gravidez e um Banana Bread

Com a gravidez chegou também uma inércia, falta de energia, uma falta de vontade para tudo que nunca imaginei ser possível de me acontecer.

Mas vamos ver se desta embalo e partilho  com vocês como tem sido esta gravidez, que já conta com 25 semanas, como foi ver mais um teste positivo,  da dificuldade em “cair na realidade” e aceitar que desta vez estava tudo bem, das compras para a minha princesa e, não menos importante, principalmente para ajudar as mulheres que passaram pelo mesmo do que eu, do difícil processo de engravidar, das lágrimas, das dores e frustrações mas também do quão fortes descobrimos que somos.

Com a gravidez veio também uma inexplicável falta de vontade de cozinhar. No primeiro trimestre então, foi do pior. Além de não me apetecer cozinhar, não tinha apetite nenhum. A situação melhorou um pouco, mas nada de extraordinário. A criatividade na cozinha tem sido igual a zero. Receitas repetidas semana após semana.

Hoje tinha umas bananas para lá de maduras e uma embalagem (100grs) de côco fresco a passar da validade.

Em vez de congelar as duas frutas, decidi fazer um Banana Bread, também para variar um pouco os pequenos almoços e os lanches. Resultou quase bem 🙂 de sabor está ótimo e de consistência bem húmida. Eu queria que tivesse ficado um pouco mais seco, mas basta aumentar um pouco as farinhas.

 

Deixo aqui a minha receita.

Ingredientes:

  • 4 ovos
  • 3 bananas bem maduras
  • 100 grs côco fresco
  • 100 grs farinha de aveia
  • 50 grs farinha de linhaça
  • 150 ml de água
  • 2 C. Sopa de óleo de côco (liquido)
  • 1 C. Chá de bicarbonato de sódio
  • Pitada de sal e canela
  • Nozes (opcional)

 

Preparação:

  1. Pré-aquecer o forno;
  2. Triturar o côco com a água até formar uma pasta;
  3. Juntar os ovos, as farinhas, as bananas, o óleo de côco, o sal e a canela (no meu não juntei a canela por causa da gravidez). Bater tudo muito bem;
  4. Juntar o bicarbonato e mexer mais um pouco;
  5. Por fim, junte as nozes e misture;
  6. Deite numa forma de bolo inglês forrada com papel vegetal e leve ao forno durante 40min ou até o palito sair seco.

Fica um pão muito saboroso, que pode ser barrado com uma manteiga de amêndoa e coberto com framboesas ou apenas torrado.

Espero que gostem 😉

Quando se engravida pela primeira vez…

Quando a gravidez é uma decisão, espera-se que a partir desse momento, no máximo em 12 meses, tenha o seu bebé nos braços.

Não se imagina mais nada, a não ser engravidar (em dois ou três meses) e ter uma gravidez saudável e tranquila.

Felizmente que em muitos casos é a realidade.

Infelizmente que em muitos outros casos não é o que acontece.

Quando se engravida pela primeira vez, somos um oceano imenso de alegria e felicidade,  aquela que não se consegue esconder, queremos contar às nossas pessoas (e ao resto do mundo), sentimos todos os sintomas da gravidez a triplicar, que nos encerra o pensamento para o que acontece no resto do mundo e centramos toda a nossa vida no amor que cresce dentro de nós.

Quando engravidamos a primeira vez, nas primeiras semanas, tudo são flores, raios de sol, chilrear de passarinhos. Começamos a usar todos os cremes anti-estrias no dia seguinte ao teste de gravidez nos presentear com um positivo. Escolhemos nomes, “sentimos” se é menino ou menina, imaginamos a carinha,  vemos roupinhas e o carrinho.

Quando engravidamos a primeira vez, nem imaginamos, mesmo no pensamento mais recôndito, que algo, por mais ínfimo que seja, que possa correr menos bem. Que pode correr mal.

E corre. E acontece.

Quando ouvimos as palavras que nunca imaginámos ouvir, o nosso mundo desaba, não levamos com o balde de água fria mas sim com toda a água gelada de todos os oceanos deste mundo e arredores. O nosso mundo desaba e ficamos perdidas, com uma faca espetada no coração, uma dor infinita.

O nosso vocabulário adquire novos termos: aborto, anembrionária, cytotec, raspagem, aspiração, aborto de repetição, infertilidade, anestesia geral, aborto retido…

Mas também conhecemos o novo significado de força, persistência, acreditar, fé, confiar, amor, companheirismo…

A mim aconteceu-me não uma, não duas, mas três vezes. Outras mulheres há que passam por esta dor muitas mais vezes.

A cada vez que acontecia a dor era muito forte. Mas sempre que saía dessa situação menos boa, olhava para trás e sentia-me muito mais forte, mais consciente de quem sou e orgulhosa. Nós somos umas guerreiras.

Nunca nos devemos esquecer: a cada dificuldade da vida, nós crescemos e fortalecemos.

Imagem via @tumblr

Pãozinho de Alfarroba

Pão, pão, pão.

Somos uma cultura de consumo de pão, a todas as refeições. Por isso mesmo, este é aquele alimento mais difícil de deixar de comer ou então encontrar alternativas saudáveis à altura.

Pessoalmente, era muito viciada em pão, fofinho, quentinho com manteiga. Pensei que nunca na vida iria conseguir desabituar-me dele. Mas consegui. Realmente somos animais de hábitos.

Hoje em dia, quando sinto vontade de pão é principalmente ao pequeno-almoço. Quando isso acontece, simplesmente cozinho uma alternativa saudável e fico bastante satisfeita.  Cozinho na frigideira ou microondas, pois são as formas mais rápidas.

Desta vez saiu um pãozinho de alfarroba, feito no microondas e que ficou bastante fofinho e saboroso.

Ingredientes: (1 uni)

  • 1 ovo
  • 1 C.S. farinha de linhaça
  • 1 C.S. farinha de trigo sarraceno
  • 1 C.S. farinha de alfarroba
  • 1 C.S. iogurte grego
  • 1 C.C. de bicarbonato de sódio
  • sal
  • sementes a gosto para polvilhar

Preparação:

  1. Numa caneca misturar todos os ingredientes muito bem e temperar com uma pitada de sal;
  2. Pode colocar numa forminha ou cozinhar na própria caneca. Polvilhe com sementes a gosto;
  3. Cozinhe no microondas, entre 45 seg a 1 min.
  4. Delicie-se 🙂

Façam e depois contem-se se gostaram 🙂

Focus

“Visualize os seus objetivos. Tenha-os à sua frente. Nunca deixe que eles saiam do seu campo visão.”

Imagem via @tumblr | awwlorena |

O tempo… não pára!

“O tempo está sempre a passar.

Não importa o que fazemos, ele simplesmente voa. Quer seja a dormir, a cozinhar ou estar com a família e amigos; esses momentos vão dançar ao seu lado.

Como ele está constantemente a ser gasto, seja consciente de como gasta o seu.”

Imagem via @tumblr

Conquistar a nossa taça

A felicidade não nos é entregue num prato de prata. A felicidade é algo que nós mesmos devemos poder manifestar por nossa conta, resultado das nossas conquistas, independentemente do que a vida nos dá.

Imagem via @tumblr |szshap|